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Manual da Startup » lean manufacturing http://www.manualdastartup.com.br/blog Práticas sobre Lean Startups, Customer Development e empreendedorismo em geral Thu, 12 Apr 2012 16:08:11 +0000 en hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.3.1 Revisando o Manifesto Ágil – Kent Beck na SLLConf http://www.manualdastartup.com.br/blog/revisando-o-manifesto-agil-%e2%80%93-notas-da-palestra-do-kent-beck-na-sllconf/ http://www.manualdastartup.com.br/blog/revisando-o-manifesto-agil-%e2%80%93-notas-da-palestra-do-kent-beck-na-sllconf/#comments Tue, 04 May 2010 14:54:54 +0000 Eric Santos http://www.manualdastartup.com.br/blog/?p=302

Seguindo a série de notas sobre a SLLConf iniciada com a mensagem de abertura do Eric Ries, nesse post vou cobrir as observações sobre a palestra do Kent Beck, que abriu o bloco Build do evento. Também estão no final o vídeo e os slides da palestra.

Para quem é da área de software, Kent Beck não necessita de apresentação. Entre diversas outras coisas memoráveis, ele foi um dos signatários originais do Manifesto Ágil e criador da metodologia Extreme Programming e dos conceitos de Desenvolvimento Orientado a Testes.

Ele iniciou sua palestra comentando o fato de que os conceitos de Lean Startup e a comunidade de prática que se formou em torno do tema foram responsáveis por trazer uma nova “energia” para que ele continue criando negócios através da sua capacidade de desenvolver software. Na sequência, ele fez uma série de análises que geraram muita discussão e comentários na blogosfera. Abaixo faço o resumo dos principais conceitos:

Encontrando o “ponto da coceira”

Essa foi uma analogia bem-humorada entre as Startups e uma experiência que ele teve com uma das cabras de sua criação. A estória é a de que um dia ele estava brincando com uma das cabras, fazendo um movimento de cócegas com os dedos ao longo do corpo da cabra, que por sua vez não reagia àquele movimento. Em um determinado momento, Kent achou um ponto (itchy spot) onde, com o mesmo movimento nos dedos, a cabra teve uma reação desproporcional às cócegas.

Com as Startups, a coisa é parecida. Você tenta uma, duas, três, várias vezes, e recebe quase nada de resposta do mercado. De repente, nesse processo iterativo, a Startup encontra algo que tem uma demanda e uma alavancagem desproporcional ao resto. Achar esse “ponto da coceira” requer timing, sorte, mas principalmente, muitas “cócegas”.

É aí que entra uma das ideias principais das Lean Startups: aumentar a velocidade de iteração para garantir que se ache esse “itchy spot” o quanto antes, maximizando as chances de sucesso do empreendimento.

O princípio de “Pull”

Nas suas apresentações, Eric Ries sempre mostra o Loop Fundamental da Lean Startup, que é composto pelo ciclo Build->Measure->Learn (clique aqui para ver a imagem).

Kent Beck analisou esse loop e percebeu que, se quisermos extrair o máximo de valor de cada iteração, a sequência está na verdade invertida. Ele então propôs que adotássemos algo mais próximo do conceito de “Pull” do Lean Manufacturing, ou seja, começar com uma necessidade concreta (de aprendizado ou demanda dos clientes). Desta forma, o Loop deveria estar na sequência: Learn->Measure->Build.

Loop Learn Measure Build

Loop Learn Measure Build

Kent também escreveu um post explicando melhor sobre essa ideia do Learn->Measure->Build, dando alguns exemplos práticos de como isso altera a maneira de agir.

Essa ideia também se alinha com a forma que os princípios Ágeis são praticados hoje. Segundo ele, as metodologias ágeis por si só trazem bastante micro-eficiências ao processo de desenvolvimento de software, porém se não alinhadas a esse processo maior de aprendizado e Customer Development, perdem macro-eficiências por permitir que se construa coisas que as pessoas não querem ou precisam.

Revisando o Manifesto Ágil

Aproveitando o insight acima, Kent Beck fez uma revisão do Manifesto Ágil aplicado ao contexto das Startups:

Valorizar:

Visão da Equipe e Disciplina mais do que Indivíduos e Interações (e mais do que Processos e Ferramentas);

Aprendizado Validado mais do que Software em Funcionamento (e mais do que Documentação Abrangente);

Descoberta do Cliente mais do que Colaboração com o Cliente (e mais do que Negociação de Contratos);

Iniciar as Mudanças mais do que Responder às Mudanças (e mais do que Seguir um Plano);

Esse post traz mais detalhes sobre esses pontos.

O princípio de “Flow”

Para fechar a palestra, Kent falou sobre o quanto o princípio de “Flow” está alinhado ao de “Pull” para as Startups. A ideia central é que devemos buscar minimizar o tempo total gasto no Loop para cada iteração.

Para o processo de aprendizado, ter “meia-entrega” em menos tempo é mais valioso do que uma entrega completa em mais tempo. Devemos então sempre nos perguntar: Como podemos diminuir o tempo nesse próximo ciclo Build->Measure->Learn para o que queremos aprender? Qual o atalho que podemos tomar ou a redução que podemos fazer no Build?

Ele exemplificou usando um caso próprio de aplicação de um MVP, e brincou: “Not having a customers is a blessing. You can make mistakes all along.”

Deixo também mais dois quotes provocantes que geraram alguns debates interessantes.

“As a developer, you have to realize that the solutions to shortening the cicle might not be the better technicaly.
Sometimes, it´s gonna look like hackery.”

“Good engineering sometimes isn´t good startup engineering. It depends on the Learning you need to create.”

Seguem agora o vídeo e os slides da palestra:

To agility, and beyond…

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O que é a Lean Startup http://www.manualdastartup.com.br/blog/o-que-e-a-lean-startup/ http://www.manualdastartup.com.br/blog/o-que-e-a-lean-startup/#comments Wed, 23 Dec 2009 16:01:11 +0000 Eric Santos http://www.manualdastartup.com.br/blog/?p=80

Nos posts iniciais desse blog, preocupei-me em fazer uma introdução mais conceitual – ainda que fundamental – para o entendimento do que se propõe o movimento das Lean Startups. Argumentei que o principal desafio das Startups é encontrar mercado para o seu produto visionário, que o modelo tradicional de desenvolvimento tem sido o responsável pela alta taxa de fracassos das Startups por alguns motivos bem conhecidos, e que há uma metodologia chamada Customer Development destinada a mitigar o risco de mercado associado à criação de qualquer produto de base tecnológica.

A Lean Startup é a forma prática de implementar a cultura de aprendizado necessária para as Startups, principalmente para o caso das empresas de software. Essa filosofia está ganhando cada vez mais corpo nos círculos de empreendedorismo tecnológico ao redor do mundo, especialmente em seu epicentro, o Vale do Silício, onde os efeitos da crise econômica têm refletido bastante na quantidade de Venture Capital disponível, o que consequentemente tem obrigado as Startups a serem muito mais eficientes e objetivas.

A premissa principal da Lean Startup é de que quanto maior a velocidade e menor o custo de cada grande iteração – onde a Startup valida ou descarta hipóteses importantes sobre o seu produto ou mercado – maiores são as suas chances de sucesso. Não raros são os casos onde essas iterações resultam em mudanças significativas na ideia original dos fundadores, o que Eric Ries chama de pivôs. De fato, em retrospectiva, um ponto em comum que caracteriza a grande maioria das Startups bem sucedidas (ex. Paypal, Flickr, Microsoft, eBay, Youtube, etc.),  é que elas souberam fazer esses pivôs conforme iam descobrindo novas evidências sobre o seu negócio. Esse fenômeno fica bastante claro na leitura do excelente Founders at Work.

A Lean Startup baseia-se na combinação do seguinte tripé:

- Customer Development: Processo detalhado para testar e validar suas hipóteses sobre clientes, produto e mercado. (mais detalhes no post anterior)

- Desenvolvimento Ágil: Aplicação de metodologias tais como XP e Scrum (ajustadas para o ambiente das Startups) que possibilitam grande redução do tempo de cada iteração de desenvolvimento,  aumentando a velocidade do aprendizado através de feedback real dos clientes/usuários.

- Plataforma Tecnológica como commodity: Uso de serviços, frameworks e tecnologias diversas (ex. WordPress, Amazon EC2, Google Adwords, Ruby on Rails, só para citar alguns), que garantem baixo custo e uma agilidade sem precedentes na construção de produtos de base tecnológica.

Em suma, a Lean Startup parte do princípio que tanto o Problema (necessidade do cliente) quanto a Solução (produto) são desconhecidos, e que a descoberta de ambos é um processo iterativo que aglutina o desenvolvimento do produto com atividades de Customer Development, seja por investigação qualitativa (entrevistas, testes de usabilidade, etc.) ou por experimentação quantitativa com software em produção com clientes reais. A figura abaixo ilustra essa integração.

Lean Startup - problema e solução desconhecidos

Para o caso das experimentações quantitativas, Eric Ries fez um diagrama simplificado do que ele chama de Loop Fundamental de uma Lean Startup, que ilustra melhor como a equipe deve proceder nas atividades “dentro do escritório”.

Lean Startup - loop fundamental

O termo Lean aplicado para Startups vem do conceito de Lean Manufacturing,  filosofia de gestão focada na redução de desperdícios. No caso de empresas de software, a maior fonte de desperdício é “produzir software que ninguém quer”. Desta forma, a promessa da Lean Startup é a de acelerar o aprendizado e reduzir esse desperdício, garantindo que a Startup chegue o quanto antes ao Product/Market Fit.

Há uma série de técnicas para serem aplicadas que serão discutidas em posts futuros aqui no blog, tais como split-testing, métricas, MVP, Continuous deployment, Five Why´s, entre outras.

Para finalizar, deixo abaixo uma apresentação sobre Lean Startups feita pelo Eric Ries no Web 2.0 Expo em San Francisco deste ano. Tive o prazer de assisti-la presencialmente junto com meu amigo Miguel Cavalcanti, e depois participamos de uma sessão bate-papo com o Eric Ries e outro empreendedores sobre práticas mais específicas. Para quem ainda tiver tempo, recomendo também assistir ou escutar essa ótima entrevista dele com o Andrew Warner no Mixergy.

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