Customer Validation sem uma linha de código – o case da Food on the Table

Entrando no bloco Learn da SLLConf,  o primeiro estudo de caso foi apresentado pelo Manuel Rosso da Food on the Table. O case foi impressionante pela forma como os empreendedores conduziram as etapas de Customer Discovery e Customer Validation. Faço a seguir o resumo da palestra, deixando ao final o vídeo e os slides da apresentação.

Manuel começou a apresentação falando sobre como foi a sua introdução ao conceito de Customer Development e do paralelo que ele encontrou com as técnicas de Pesquisas de Mercado com as quais ele estava habituado nos seus trabalhos anteriores em grandes empresas.

Ele lembrou que a Pesquisa de Mercado surgiu pouco depois do período pós-guerra, quando a explosão da produção e distribuição de produtos em massa fez com que as empresas ficassem distantes dos seus consumidores, e taxa de fracasso no lançamento de produtos aumentasse significativamente.

Estas técnicas de Pesquisa de Mercado mostraram ótimos resultados a princípio, porém com o tempo elas começaram a ficar cada vez mais caras e demoradas para se manter efetivas, o que hoje apenas viabiliza a sua utilização por grandes empresas com grandes verbas de marketing. Customer Development seria então a evolução do conceito de Pesquisa de Mercado aplicado ao contexto de Startups.

Customer Development no Food on the Table

O Food on the Table é um serviço Web que ajuda as mães a planejar e a economizar com as refeições semanais da família. No entanto, Manuel contou que no início da Startup eles ainda não tinham essa forma de produto.  Pelo contrário, não havia nem hipóteses claras para serem testadas. O que eles tinham era uma ideia de mercado (mães “ocupadas”) e uma ideia de área de atuação (comida).

A estratégia deles foi conversar livremente com um grande número de mães (mais de 150) e entender pontos de “dor” em comum, e assim começar a desenhar possíveis soluções para esses problemas.

Customer Validation – a prova do problema com uma solução “manual”

Na fase de validação, a estratégia utilizada foi a de provar a solução na sua forma mais completa possível, de forma manual, com um serviço de consultoria embutido. Manuel brincou com a abordagem e chamou isso de Maximum Viable Product. A premissa principal deles era: se não tivermos demanda para essa solução “segurando na mão dos clientes”, definitivamente não teremos demanda para uma solução fria automatizada online.

A Food on the Table levou essa abordagem ainda mais além do que no case relatado da Aardvark. Eles vêem código (programação) essencialmente como uma forma de poder escalar a oferta e reduzir custos de um serviço para qual já se provou a demanda. Em outras palavras, só é produzido código quando uma tarefa está exigindo muito tempo pela sua execução “manual”. Parafraseando Manuel: “Os clientes se interessam somente pela resolução dos problemas deles. Eles não se importam com a sua tecnologia”.

Customer Acquisition – Landing Pages como ferramenta de aprendizado

Toda a evolução na aquisição dos clientes se deu através de melhorias nas Landing Pages. Essas melhorias foram derivadas de muitos testes quantitativos no site, mas também através de conversas com o público que foram importantes para aprender o porquê de determinados comportamentos.

Para cada iteração, eles se perguntavam: É possível acompanhar uma métrica-chave para nosso próximo objetivo? Se sim, se focarmos nossos esforços podemos impactar essa métrica?

Duas lições sobre Landing Pages:
– Invista em tráfego (compra de anúncios) para acelerar o aprendizado. Os experimentos estatísticos (ex. A/B tests) exigem uma grande amostra para serem conclusivos, portanto deve-se chegar a essa amostra o mais rápido possível para evitar a espera paralizante.
– As “Melhores Práticas” de produção de Landing Pages são sempre relativas. Cada segmento é diferente, portanto tome cuidado ao implantar as técnicas que deram certo para outros.

Para finalizar, Manuel compartilhou o email de reclamação de uma usuária sobre o serviço e comentou que não se deve ter medo de se expor por consequência das eventuais críticas. Pelo contrário, é excelente poder iterar a partir desses pontos de reclamação dos clientes. (Isso lembrou mantra “Maximize for Love or Hate” do Dave McClure)
Deixo abaixo o vídeo e os slides:




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